Bitributação é barreira aos investimentos árabes no Brasil

Necessidade de simplificar a legislação brasileira para atrair mais investimentos de países árabes foi um dos tópicos tratados durante o debate online que o LIDE RS promoveu nesta quinta-feira (20). Presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, foi um dos convidados.

Agência ANBA | Thais Souza – A bitributação é uma das principais barreiras na hora de atrair mais investimentos de nações árabes para o Brasil. A observação foi feita pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, durante debate online promovido pela LIDE RS, instituição formada por um grupo de líderes empresariais.

O evento (foto acima) ocorreu nesta quinta-feira (20), com mediação do presidente do LIDE RS, Eduardo Fernandez. Também debateram a diretora de Negócios da JBS, Janaína Azevedo, e a gerente sênior de Relações Institucionais e Acesso a Mercados na MSD, Marília Rangel, para discutir oportunidades de negócios com os países árabes.

Uma das questões levantadas no encontro virtual foi a captação de investimentos de fundos dessas nações. “Os árabes querem toda governança e segurança jurídica. Eles não emprestam o dinheiro, eles aplicam na produção. Eles fazem investimento do dinheiro”, afirmou Hannun. O executivo vê, no entanto, barreiras criadas pela legislação complexa do Brasil. “A bitributação barra muito investimentos. Os Emirados Árabes Unidos têm um acordo [com o Brasil] para tirar a bitributação, mas está dependendo de aprovação no Congresso. Para casos como esse criamos um grupo parlamentar Brasil-Países Árabes com senadores e deputados, para falar mais desses temas”, concluiu.

No que diz respeito a outras negociações, Hannun acredita que a resposta rápida aos desafios da pandemia tornou mais ágeis os contatos. “Precisamos virar a chave rápido. A Câmara passou a fazer webinars praticamente semanalmente”, exemplificou ele, acrescentando que há benefícios também em reuniões online, por exemplo, que ganham também em agilidade e mantêm fortes os laços entre brasileiros e árabes.

A gerente sênior de Relações Institucionais e Acesso a Mercados na MSD, Marília Rangel, vê como imprescindível a participação nos mercados árabes. “Eles fazem parte de uma região que tem uma das populações que mais crescem no mundo. E muitas marcas brasileiras são tidas, inclusive, como nacionais por eles. Isso até por causa dos nomes e identificação com os produtos”, apontou ela sobre a boa reputação que os produtos brasileiros conquistaram nos países árabes.

Já sobre a percepção de que é mais difícil para uma mulher negociar com os árabes, Janaína Azevedo, da JBS, tem na própria trajetória um contraponto. “Minha carreira quebrou um pouco da estatística de que ‘mulher não negocia com árabes’. Claro que há muitas diferenças de um país para o outro. Há locais mais conservadores e outros mais abertos. Mas isso acontece no mundo todo, é cultural. A mulher deve sim continuar negociando com os árabes. Faço votos que mais mulheres venham para esse mercado e tomem mais posições de liderança”, destacou.

Para Azevedo, os países árabes abrem um mercado de volume, de desafios e oportunidades. “Um dos povos que mais me ensinou a negociar foi o árabe. É um povo de olho no olho, de confiança. A partir do momento que ele confiou em você, é uma vez só”, concluiu. O webinar faz parte do LIDE Talks, encontros digitais nos quais são abordados temas de interesse das empresas.

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