Ramadã começa com rituais alterados pela pandemia

O mês de jejum do calendário islâmico teve início nesta terça-feira (13). Saiba como alguns países árabes adaptaram suas práticas do período em função da covid-19.

Cerca de dois bilhões de muçulmanos em todo o mundo estão celebrando o primeiro dia do Ramadã nesta terça-feira (13). Pelo segundo ano, o Ramadã na Arábia Saudita e no mundo acontece com as precauções contra o coronavírus. “O mês do Ramadã está chegando e o mundo está sofrendo com a pandemia do coronavírus. Agradecemos a Deus pelos esforços científicos no desenvolvimento de vacinas para conter a pandemia”, disse o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, ao jornal local Arab News.

Medidas preventivas estão mais brandas que no ano passado, mas continuam em vigor no mundo árabe para conter a disseminação do coronavírus. Confira como vai ser o Ramadã na Arábia Saudita, Emirados Árabes, Líbano e Egito. As informações a seguir são do jornal The National, dos Emirados.

Arábia Saudita

A pandemia está longe de terminar e a Arábia Saudita enfrenta um aumento no número de casos de covid-19. No país do Golfo, os peregrinos que realizarem a Umrah na Grande Mesquita em Meca durante o Ramadã devem comprovar imunidade ao vírus para conseguir a autorização, ou seja, estar vacinado ou ter se recuperado do vírus, informou o Ministério Hajj e Umrah à agência de notícias estatal saudita Saudi Press Agency (SPA). A Umrah é a peregrinação à Meca que pode ser feita em qualquer período do ano. Já o Hajj ocorre em período determinado.

A Arábia Saudita, no entanto, tem mais de seis milhões de pessoas já vacinadas. Com isso, um número maior de pessoas poderá frequentar os locais sagrados em relação ao ano passado. O distanciamento social e o uso de máscaras são obrigatórios para todos os visitantes. Na foto acima, muçulmano ora na Grande Mesquita de Meca.

Outras mesquitas em todo o país que seguem os procedimentos de segurança e protocolos de saúde poderão permanecer abertas durante o mês sagrado, segundo as autoridades. Não é permitido realizar refeições antes ou após o jejum (suhur e iftar) nas mesquitas. Os sermões de sexta-feira foram reduzidos para 10 minutos. Os adoradores devem trazer seu próprio tapete de oração e Alcorão e permanecer fisicamente distantes dos outros. As orações Taraweeh em mesquitas não podem exceder a duração de 30 minutos.

Não haverá tendas de iftar ou banquetes do lado de fora das mesquitas ou em outro lugar, e não são permitidas reuniões públicas. Organizações de caridade já tomaram providências para fazer com que cestas básicas sejam entregues antes e durante o Ramadã. Comer e beber em locais públicos não é permitido, mas não é uma ofensa passível de punição, já que algumas pessoas podem precisar devido a problemas de saúde.

De acordo com as novas diretrizes do Ministério de Recursos Humanos, o número oficial de horas de trabalho não passará de cinco por dia. Grande parte dos países de maioria islâmica mantém regras parecidas com as sauditas.

Emirados Árabes

As restrições de segurança nos Emirados Árabes Unidos permanecem em vigor, mas, um ano após o início da pandemia, o país vem sendo reaberto gradativamente, permitindo que algumas tradições do Ramadã voltem.

As mesquitas do Emirados permanecem abertas para orações este ano, com limite de capacidade e outras medidas para prevenir a propagação do vírus, como a utilização de máscara e higienização do local antes e depois das orações.

Famílias que moram juntas podem quebrar o jejum juntas, mas não é permitido se reunir com pessoas de outras casas. Grandes reuniões atualmente não são permitidas, a fim de evitar a disseminação da covid-19.

Não haverá tendas de iftar ou banquetes do lado de fora das mesquitas ou em qualquer outro lugar. Cópias físicas do Alcorão não devem ser distribuídas. Os supermercados estão abertos novamente em tempo integral.

Os muçulmanos podem continuar doando para instituições de caridade e ajudar suas comunidades de todas as maneiras possíveis, à distância. Apoiar os necessitados será importante novamente este ano, com muitas pessoas afetadas financeiramente pela pandemia.

O vice-presidente dos Emirados e governante de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, lançou um plano para financiar 100 milhões de refeições gratuitas em 20 países da região.

Na maioria dos emirados, comer e beber em locais públicos durante o Ramadã é proibido, mas este ano, o Departamento de Desenvolvimento Econômico de Dubai informou que os estabelecimentos de alimentação não eram mais obrigados a servir comida fora da vista do público durante o jejum. As telas e cortinas que antes eram usadas, principalmente em shoppings, não são mais necessárias.

Egito

Enquanto o país luta contra a terceira onda de covid-19, o governo anunciou uma série de novas regulamentações de saúde e segurança para mitigar a pandemia neste Ramadã.

Os regulamentos são nitidamente mais brandos este ano em comparação com o último Ramadã, com restaurantes autorizados a permanecer abertos e receber eventos limitados. O Ramadã no ano passado coincidiu com o primeiro mês de lockdown, quando as diretrizes de saúde e segurança do país eram mais rigorosas.

Contudo, as autoridades serão rígidas com qualquer pessoa que não use máscara facial ou mantenha o distanciamento social, especialmente no transporte público. Mesquitas que não cumprirem os regulamentos de saúde e segurança serão multadas e até fechadas. Os torneios esportivos do Ramadã estão proibidos este ano.

Líbano

Embora simbolize a fé e a iluminação para os muçulmanos que celebram em todo o mundo, o Ramadã também é uma grande lembrança de tudo o que mudou no ano passado, especialmente no Líbano. Os problemas que o país enfrenta foram agravados pela explosão do Porto de Beirute, no ano passado.

Devido ao aumento da covid-19, o Líbano implementou toque de recolher das 21h30 às 5 horas desde segunda-feira (12) durante todo o mês do Ramadã, para evitar grandes aglomerações.

As mesquitas podem abrir para orações, mas apenas com 30% da capacidade. Iftars e festas em grupo estão proibidos para prevenir a transmissão do vírus pela comunidade, que já começou a ser vacinada, mas a passos lentos.

Os restaurantes ficam abertos com 50% da capacidade ao longo do dia e terão que cumprir o horário de toque de recolher. Os serviços de entrega serão permitidos 24 horas por dia, sete dias por semana.

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