Brasil e Emirados podem crescer juntos em inovação

Em painel do Fórum de Sustentabilidade, promovido pela Câmara Árabe neste domingo (03) em Dubai, o CEO do Parque de Pesquisa, Tecnologia e Inovação de Sharjah sugeriu que Emirados e Brasil façam o relacionamento crescer por meio das áreas de tecnologia e inovação.

Isaura Daniel | Agência ANBA

Lideranças do setor privado e público do Brasil e Emirados deixaram claro que estão dispostos a ter uma relação mais próxima e a aceleração do uso da inovação e da tecnologia, deflagrada pelo cenário da covid-19, pode ser uma oportunidade para isso. “Podemos aproveitar a oportunidade da inovação e da tecnologia para desenvolver nossa relação”, disse o CEO do Parque de Pesquisa, Tecnologia e Inovação de Sharjah, Hussein Al Mahmoudi, durante fórum que reuniu público dos dois países neste domingo (03) em Dubai. Na foto acima, Al Mahmoudi e a vice-presidente de Tecnologia Digital e Serviços da Abu Dhabi Portos, Sarah Al-Najjar.
Reprodução

Al Mahmoudi mediou o painel Parcerias em Inovação e Tecnologias Digitais para o Desenvolvimento Sustentável, que fez parte do Fórum de Sustentabilidade Econômica na Região Amazônica – Brasil e Emirados Árabes Unidos, no qual representantes das duas regiões discutiram o tema. O fórum foi promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pôde ser acompanhado presencialmente nos Emirados, assim como pela internet em qualquer lugar do mundo. O diretor-executivo do Pacto Global das Nações Unidas, Carlo Linkevieius Pereira, abriu o primeiro painel mostrando o tamanho do apelo global pela sustentabilidade e o imperativo que o valor se tornou aos negócios.

Ele disse que ter sustentabilidade implica inovação por parte das empresas. “A inovação é intrínseca à sustentabilidade, muitas empresas chamam a área de sustentabilidade de inovabilidade”, disse, explicando que é devido às mudanças que acarreta. “Muitas vezes nossos processos produtivos e gerenciais não são adequados, então a gente precisa inovar para que consigamos ter um impacto negativo menor, uma redução de gás de efeito estufa, uma melhor gestão de nossos funcionários, dando maior saúde mental, tendo empresa mais diversa, coisas essas que a sociedade hoje em dia demanda e que o setor financeiro hoje em dia precifica”, afirmou Pereira.

Os palestrantes do painel contaram sobre o trabalho pela inovação, tecnologia e sustentabilidade realizado pelos organismos e institutos nos quais atuam. Al Mahmoudi disse que no Parque de Pesquisa, Tecnologia e Inovação de Sharjah o mandato é prover tecnologia e inovação e usá-las para gerar impacto econômico e oportunidades econômicas, além de construir talentos e capital humano.

Sarah Al-Najjar contou como o uso da tecnologia vem favorecendo as atividades da Abu Dhabi Ports. A empresa é operadora de portos, zonas industriais e de logística com atuação nos Emirados Árabes Unidos e exterior. “Estamos introduzindo aprendizagem de máquinas e inteligência artificial para ter uma integração perfeita entre os diferentes participantes”, disse ela sobre as operações. Al-Najjar contou sobre o uso de nova plataforma que integra instituições e governos e oferece serviços aos consumidores. Ela disse que tudo isso traz muita transparência para a cadeia.

O diretor de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Lucas Fiuza, contou que o Brasil está vivendo um novo momento, digital. Segundo ele, Brasil e Emirados têm uma parceria estratégica, baseada principalmente na agricultura, com o fornecimento de proteínas, e o novo momento trará um ambiente propício para mais negócios. Ele contou como o uso da tecnologia agrícola ajudou o Brasil a plantar em terras que não eram consideradas ideais e disse que o País pode dividir esse conhecimento com os Emirados.

A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves, deu um panorama sobre como setor aviário brasileiro trabalha a sustentabilidade. As carnes de aves estão entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos países árabes. Ela disse que sustentabilidade é também não passar fome e que o Brasil oferece isso ao fornecer alimentos a 150 países por um preço bom, para que tenham segurança alimentar.

Alves lista uma série de ações levadas adiante pelo setor aviário no Brasil pela sustentabilidade, como o uso de raças de aves adequadas para o ambiente, o que gera melhores resultados. “O Brasil, devido a suas características naturais, tem aptidão e vocação para a produção de alimentos”, afirmou a diretora técnica da ABPA.

A executiva citou como sustentabilidade praticada no setor o respeito aos hábitos de consumo, culturais e religiosos de cada país ao qual o Brasil fornece, a produção realizada fora do bioma amazônico, a alta taxa de recirculação e reuso de água pelos aviários, o tratamento de resíduos, o sistema de produção integrado das empresas junto aos agricultores, que leva a eles capacitação e valorização. “Os exemplos aqui apresentados são práticas muito comuns das nossas associadas”, disse.

Fórum

O fórum foi organizado pela Câmara Árabe em parceria com o Ministério da Economia dos Emirados Árabes Unidos, a Federação das Câmaras de Comércio e Indústria dos Emirados Árabes, a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes e a Câmara de Dubai. Os debates ocorreram no Hotel Conrad, em Dubai, paralelamente à Expo 2020, aberta ao público no emirado na sexta-feira (01) e da qual o Brasil participa.

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