Para jovens, moda halal precisa incluir comércio justo

Avaliação foi apontada por Datin Lorela Chia Yu-Chi, cofundadora e CEO da ModeStylo International. A executiva participou virtualmente de debate no fórum Global Halal Brazil.

Thais Souza | Agência ANBA

A moda halal vai além dos aspectos estéticos, apontaram especialistas durante o painel “Halal e novos nichos de mercado (turismo e moda)”, nesta quarta-feira (08), último dia do fórum de negócios Global Halal Brazil. “A nova geração está exigindo produtos mais éticos”, disse Datin Lorela Chia Yu-Chi, cofundadora e CEO da ModeStylo International.

A executiva, que participou virtualmente do evento, é também diretora de Planejamento Estratégico do evento MIHAS 2021 e membro do Comitê Halal Consumer Goods Malaysian Standards Working Group, da Standards Malaysia.

Yu-Chi apontou que o mercado deve crescer com uma população muçulmana predominantemente jovem. “Entendemos a importância de ouvir essa geração, o que produtos e moda halal significam para ela. Ouvimos um painel com jovens influencers e eles acreditam que a moda não é só cobrir o corpo. É também o processo, como os funcionários fazem o produto, como são tratados, qual a cadeia de fornecimento. O comércio justo é halal, transparência, os consumidores querem entender o que estão comprando”, afirmou ela.

Para a especialista, são os princípios éticos que devem expandir a moda halal extrapolam o mercado muçulmano. “Muitos valores islâmicos, comércio justo, incentivo a trabalho solidário, encontra eco com valores morais e éticos de pessoas de todo mundo”, concluiu.

Baseado nos Emirados, Vincenzo Visciglia, diretor criativo da grife líbano-brasileira AAVVA FASHION, concorda que os conceitos das roupas e acessórios considerados halal vão além do visual. “Muitas pessoas fora do mundo árabe acham que eles têm uma vida muito diferente da nossa. Mas quando comecei a trabalhar com moda, tive a oportunidade de me manter fiel ao meu DNA. Trabalho com alta moda, trabalho com o que vem de fora, mas adapto ao mercado. Você não precisa cobrir o corpo todo, não é isso moda halal”, declarou o diretor.

O estilista acredita que é preciso normalizar a forma de viver e de vestir em culturas diversas. “Quando faço coleções, tenho uma do Ocidente, que mostra mais pele, e uma outra para pessoas que se cobrem mais, querem seguir a tendência, mas manter a tradição”, concluiu ele, que atua no mercado de luxo.

O fórum Global Halal Brazil ocorreu de segunda-feira (06) a quarta-feira (08) de forma híbrida, promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Fambras Halal, com patrocínio da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), BRF, Pantanal Trading, Portonave e Iceport. A parte presencial foi oferecida a grupo de convidados no hotel Renaissance, na capital paulista.

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